TRADUTOR

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

CINCO CHAVES PARA ENTENDER O DOGMA DA ASSUNÇÃO.

No dia 15 de agosto a Igreja celebra o dogma da Assunção da Virgem Maria aos céus. A seguir confira alguns pontos importantes que nos ajudarão a entender melhor esta verdade de fé:

1. O que é um dogma?
Um dogma é uma verdade de fé absoluta, definitiva, infalível, irrevogável e inquestionável revelada por Deus, através das Sagradas Escrituras ou da Sagrada Tradição. Depois de ser proclamado não se pode revogar ou negar, nem pelo Papa nem por decisão conciliar.
Para que uma verdade se torne dogma, é necessário que seja proposta de maneira direta pela Igreja Católica aos fiéis como parte de sua fé e de sua doutrina, através de uma definição solene e infalível pelo Supremo Magistério da Igreja.

2. O Dogma da Assunção da Virgem
Segundo a tradição e a teologia da Igreja Católica, a Assunção da Virgem é a celebração de quando o corpo e a alma de Maria, Mãe de Jesus Cristo, foram glorificados e levados ao Céu no final da sua vida terrena. Não deve ser confundido com a Ascensão, a qual se refere a Jesus Cristo.
Diz-se que a ressurreição dos corpos acontecerá no final dos tempos, mas no caso da Virgem Maria este acontecimento foi antecipado por um privilégio singular.
Este dogma também é celebrado pela Igreja ortodoxa.

3. Declaração do dogma
Desde 1849 começaram a chegar à Santa Sé diversos pedidos a fim de que a Assunção da Virgem fosse declarada doutrina da fé. No dia 1º de novembro de 1950, o Papa Pio XII publicou a Constituição Apostólica Munificentissimus Deus que declara como dogma de fé a Assunção da Virgem Maria com estas palavras:

“Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu”.

4. Importância da Assunção da Virgem
Esta festa tem dois objetivos: a feliz partida de Maria desta vida e a assunção do seu corpo ao céu. A resposta do motivo desta celebração ser importante para os católicos é encontrada no Catecismo da Igreja Católica, que diz: “A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos” (966).

A importância da Assunção da Virgem para nós está relacionada com a Ressurreição de Jesus Cristo e a nossa ressurreição. O fato de que Maria esteja em corpo e alma já glorificada no Céu é a antecipação da nossa própria ressurreição, pois ela é um ser humano como nós.

5. Dormição ou Morte de Maria?
A Escritura não dá detalhes a respeitos dos últimos anos de Maria sobre a terra, de Pentecostes até a sua Assunção, apenas sabemos que a Virgem foi confiada por Jesus a São João. Ao declarar o dogma da Assunção de Maria, Pio XII não quis dizer se a Virgem morreu e ressuscitou em seguida ou se partiu diretamente ao céu. Muitos teólogos pensam que a Virgem morreu para se assemelhar mais a Jesus, mas outros sustentam a Dormição da Virgem, celebrada no Oriente desde os primeiros séculos.

Ambas as posições coincidem em que a Virgem Maria, por um privilégio especial de Deus, não experimentou a corrupção do seu corpo e foi assunta ao céu, onde reina viva e gloriosa, junto com Jesus.

domingo, 30 de janeiro de 2022

PAPA: DIANTE DE NOSSOS FECHAMENTOS, DEUS NÃO COLOCA FREIOS EM SEU AMOR.

  
Os longos anos de caminhada podem nos levar a pensar que conhecemos bem o Senhor, e assim nos fecharmos às suas novidades e surpresas, fixos em nossas posições. Para evitar isto, devemos ter a mente aberta e o coração simples e humilde: "O Senhor pede uma mente aberta e um coração simples. E quando uma pessoa tem uma mente aberta, um coração simples, tem a capacidade de surpreender-se, de maravilhar-se. O Senhor nos surpreende sempre, é esta a beleza do encontro com Jesus".

“Que Nossa Senhora, modelo de humildade e disponibilidade, nos mostre o caminho para acolher Jesus.” E para acolher as suas novidades, devemos purificar-nos no "rio da disponibilidade e em muitos banhos saudáveis de humildade."

A reflexão do Papa Francisco no Angelus deste IV Domingo do Tempo Comum versa sobre a acolhida a Deus e seus desígnios, e parte do Evangelho de Lucas proposto pela Liturgia do dia, que “narra a primeira pregação de Jesus em sua cidade, Nazaré”, e "o êxito foi amargo", encontra "incompreensão e  também hostilidade".

De fato, "seus conterrâneos, mais do que uma palavra de verdade – começa explicando Francisco aos fiéis reunidos na Praça São Pedro - queriam milagres, sinais prodigiosos”. Mas “o Senhor não realiza nenhum e eles o rejeitam, porque dizem que já o conhecem desde criança, que é o filho de José, e assim por diante”, o que leva Jesus a pronunciar a célebre frase: "Nenhum profeta é bem recebido em sua terra".

Deus não coloca freios em seu amor.
Mas se Jesus, conhecendo o coração dos conhecidos e sabendo dos riscos que corria de ser rejeitado, por que foi pregar em sua cidade assim mesmo? - pergunta o Papa -, ”por que fazer o bem a pessoas que não estão dispostas a te acolher?”:

"Essa é uma pergunta que também nós muitas vezes nos fazemos. Mas é uma pergunta que no ajuda a compreender melhor Deus: Ele, diante de nossos fechamentos, não retrocede: não coloca freios em seu amor. Vemos um reflexo disso naqueles pais que têm consciência da ingratidão de seus filhos, mas nem por isso deixam de amá-los e de fazer-lhes o bem. Deus é assim , mas em um nível muito mais elevado. E hoje ele convida também a nós a acreditar no bem, a não deixar de fazer o bem."

Humildade e disponibilidade
“Eles não foram acolhedores, e nós?”. A hostilidade em relação a Jesus – observou Francisco - também nos provoca. E para ilustrar os “modelos de acolhida que Jesus propõe hoje a seus conterrâneos e a nós”, volta seu pensamento aos dois livros de Reis, que falam de dois estrangeiros – a viúva de Sarepta de Sidônia e Naamã, o sírio – que acolhem Elias – “apesar da fome e embora o profeta fosse perseguido político-religioso” e Eliseu – “que o levou a se humilhar, a banhar-se sete vezes no rio, como se fosse uma criança ignorante”.

Quer a viúva como Naamã, “acolheram com sua disponibilidade e humildade. O modo de acolher Deus é sempre ser disponível, acolhê-Lo e ser humilde". Ou seja, a fé passa pela “disponibilidade e humildade. Eles “não rejeitaram os caminhos de Deus e de seus profetas; foram dóceis, não rígidos e fechados”:

"Irmãos e irmãs, também Jesus percorre o caminho dos profetas: apresenta-se com não esperávamos. Não o encontra que procura milagres, se nós buscamos milagres não encontraremos Jesus, que busca novas sensações, experiências íntimas, coisas estranhas, não! Quem busca uma fé feita de poder e sinais externos. Não, não o encontrará. Somente o encontra, por outro lado, quem aceita seus caminhos e seus desafios, sem lamentações, sem suspeitas, sem críticas e sem casa feia."

Para evitar fechamentos, o Senhor pede mente aberta e coração simples.
Assim, Jesus nos pede para acolhê-Lo na realidade cotidiana, na Igreja de hoje, nos necessitados, nos problemas na família, nos pais, nos filhos, nos avós, "acolher Deus ali, onde Ele está, e nos convida a nos purificarmos no rio da disponibilidade e em muitos banhos saudáveis ​​de humildade. É preciso humildade para encontrar Deus, para deixar-se encontrar por Ele”:

"E nós, somos acolhedores ou nos assemelhamos aos seus conterrâneos, que achavam que sabiam tudo sobre ele? Eu estudei teologia, fiz aquele curso de catequese...eu sei tudo sobre Jesus', como um "tolo"... Não seja tolo, tu não conheces Jesus. Quem sabe, depois de tantos anos sendo crentes, pensamos que conhecemos bem o Senhor, com nossas ideias e nossos julgamentos, tantas vezes. O risco é de nos acostumarmos com Jesus, fechando-nos às suas novidades, ao momento em que Ele bate à porta e te diz uma coisa nova, quer entrar em ti. Nós devemos sair desse estar fixos em nossas posições. O Senhor pede uma mente aberta e um coração simples. E quando uma pessoa tem uma mente aberta, um coração simples, tem a capacidade de surpreender-se, de maravilhar-se. O Senhor nos surpreende sempre, é esta a beleza do encontro com Jesus".”'

Que Nossa Senhora, modelo de humildade e disponibilidade - disse ao concluir - nos mostre o caminho para acolher Jesus. 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

LITURGIA DO DIA

 SEXTA-FEIRA 28 DE JANEIRO
3ª Semana do Tempo Comum - Ano "C"
Cor litúrgica: BRANCA

Santo do dia

1ª Leitura: 2Samuel 11,1-4a.5-10a.13-17
1No retorno do ano, na época em que os reis costumam fazer guerra, Davi enviou Joab, e com ele a sua guarda e todo o Israel, e eles massacraram os amonitas e sitiaram Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém. 2Aconteceu que, numa tarde, Davi, levantando-se da cama, pôs-se a passear pelo terraço do palácio e do terraço avistou uma mulher que tomava banho. E era muito bonita e mulher. 3Davi mandou tomar informações sobre aquela mulher, e lhe disseram: "Ora, é Betsabéia, filha de Eliam e mulher de Urias, o heteu!" 4Então Davi enviou emissários que a trouxessem. Ela veio e ele deitou-se com ela. 5A mulher concebeu e mandou dizer a Davi: "Estou grávida!" 6Então Davi mandou uma mensagem a Joab: "Envia-me Urias, o heteu", e Joab enviou Urias a Davi. 7Quando Urias chegou, Davi indagou dele como ia Joab, e o exército, e a guerra. 8Depois Davi disse a Urias: "Desde à tua casa e lava os teus pés." Urias saiu do palácio e depois recebeu um presente da mesa do rei. 9Mas Urias dormiu à porta do palácio com todos os guardas do seu senhor e não foi para a sua casa. 10Informaram disso a Davi. "Urias", disseram-lhe, "não desceu à sua casa." 13Davi o convidou a comer e beber em sua presença, e o embriagou. À tarde, Urias saiu e deitou-se em sua cama, no mesmo lugar em que dormiam os guardas do seu senhor, e não desceu à sua casa. 14Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joab e a remeteu por intermédio de Urias. 15Escreveu ele na carta: "Coloca Urias no ponto mais perigoso da batalha e retirem-se, deixando o só, para que seja ferido e venha a morrer." 16Joab, que sitiava a cidade, pôs Urias no lugar onde ele sabia estarem os guerreiros mais valentes. 17Os que defendiam a cidade saíram para atacar Joab, e morreram alguns do exército, da guarda de Davi, e Urias, o heteu morreu também. 

SALMO 50
Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!
- Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado e apagai completamente a minha culpa!
- Eu reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!
- Mostrai assim quanto sois justo na sentença, e quanto é reto o julgamento que fazeis. Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade e pecador já minha mãe me concebeu.
- Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, e exultarão estes meus ossos que esmagastes, Desviai o vosso olhar do meus pecados e apagai todas as minhas transgressões!

EVANGELHO
Marcos 4,26-34
O Senhor esteja convosco
- Ele esta no meio de nós
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos
- Glória a Vos Senhor
26E dizia: "O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente na terra: 27Ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. 28A terra por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, a espiga cheia de grãos. 29Quando o fruto está no ponto, imediatamente se lhe lança a foice, porque a colheita chegou". 30E dizia: "Com que comparamos o Reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? 31É como um grão de mostarda que, quando é semeado na terra - sendo a menor de todas as sementes da terra - 32quando é semeado, cresce e torna-se maior que todas as hortaliças, e deita grandes ramos, a tal ponto que as ervas do céu se abrigam a sua sombra". 33Anunciava-lhes a Palavra por meio de muitas parábolas como essas, conforme podiam entender; 34e nada lhe falava a não ser em parábolas. A seus discípulos, porém, explicava tudo em particular. 
Palavra da Salvação


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

PROMOVER A CULTURA DA ESCUTA, CONDIÇÃO PRÉVIA DA CULTURA DO ENCONTRO.

"O caminho sinodal que estamos vivendo interpela também este nosso encontro, porque envolve o âmbito judiciário e sua missão a serviço das famílias, sobretudo as que estão feridas e necessitadas do bálsamo da misericórdia", disse o Papa em seu discurso aos Prelados Auditores do Tribunal da Roda Romana, nesta quinta-feira.
O papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (27/1), no Vaticano, os membros do Colégio dos Prelados Auditores do Tribunal da Rota Romana por ocasião da inauguração do Ano judiciário.

"O caminho sinodal que estamos vivendo interpela também este nosso encontro, porque envolve o âmbito judiciário e sua missão a serviço das famílias, sobretudo as que estão feridas e necessitadas do bálsamo da misericórdia", disse o Papa em seu discurso.

A sinodalidade implica caminhar juntos
Neste ano dedicado à família como expressão da alegria do amor, hoje temos a oportunidade de refletir sobre a sinodalidade nos processos de nulidade matrimonial. Embora o trabalho sinodal não seja de natureza estritamente processual, ele deve ser colocado em diálogo com a atividade judiciária, a fim de favorecer uma reflexão mais geral sobre a importância da experiência do processo canônico para a vida dos fiéis que viveram uma ruptura matrimonial e, ao mesmo tempo, para a harmonia das relações dentro da comunidade eclesial. Perguntemo-nos então em que sentido a administração da justiça precisa de um espírito sinodal.
Em primeiro lugar, a sinodalidade implica caminhar juntos. "Superando uma visão distorcida das causas matrimoniais, como se nelas se afirmassem meros interesses subjetivos, deve-se redescobrir que todos os participantes do processo são chamados a contribuir para o mesmo objetivo, o de fazer resplandecer a verdade sobre uma união concreta entre um homem e uma mulher, chegando à conclusão se existe ou não um matrimônio verdadeiro entre eles", ressaltou o Papa.

"Na fase preliminar, quando os fiéis se encontram em dificuldade e procuram a ajuda pastoral", segundo Francisco, "não pode faltar o esforço para descobrir a verdade sobre a própria união, condição indispensável para poder curar as feridas".

Escutar o Espírito Santo que fala na história concreta das pessoas
Segundo o Papa, "a declaração de nulidade não deve ser apresentada como se fosse o único objetivo a ser alcançado diante de uma crise matrimonial, ou como se isso constituísse um direito independentemente dos fatos.

Ao considerar a eventual nulidade, é necessário fazer com que os fiéis reflitam sobre os motivos que os levam a solicitar a declaração de nulidade do consentimento matrimonial, favorecendo uma atitude de acolhimento da sentença definitiva, ainda que não corresponda à própria convicção. Só assim os processos de nulidade são expressão de um acompanhamento pastoral eficaz dos fiéis nas suas crises conjugais, o que significa escutar o Espírito Santo que fala na história concreta das pessoas.

O objetivo de busca compartilhada da verdade deve caracterizar todas as etapas do processo judicial. De acordo com Francisco, "é inadmissível qualquer alteração ou manipulação voluntária dos fatos, visando a obtenção de um resultado pragmaticamente desejado. A administração da justiça na Igreja é uma manifestação do cuidado das almas, que exige a solicitude pastoral de ser servidores da verdade salvífica e da misericórdia".

A sinodalidade implica um exercício constante de escuta.
Em segundo lugar, "a sinodalidade nos processos implica um exercício constante de escuta. Neste âmbito temos de aprender a escutar, que não é simplesmente ouvir".

É preciso compreender a visão e as razões do outro, quase identificar-se com o outro. Como em outras âmbitos da pastoral, também na atividade judiciária é necessário promover a cultura da escuta, condição prévia da cultura do encontro. Portanto, as respostas padrão aos problemas concretos das pessoas são deletérias. Cada uma delas, com sua experiência muitas vezes marcada pela dor, constitui para o juiz eclesiástico a "periferia existencial" concreta da qual toda ação pastoral judiciária deve se mover.

Discernimento baseado no caminhar juntos e na escuta.
Francisco ressaltou que "o processo também requer uma escuta cuidadosa do que é argumentado e demonstrado pelas partes. De particular importância é a investigação, destinada a apurar os fatos, que exige de quem a conduz saber conjugar o profissionalismo justo com a proximidade e a escuta. Os juízes devem ser ouvintes por excelência de tudo o que emergiu no processo a favor e contra a declaração de nulidade. Eles são obrigados a fazer isso em virtude de um dever de justiça, animado e sustentado pela caridade pastoral".

Outro aspecto da sinodalidade dos processos é o discernimento. "É um discernimento baseado no caminhar juntos e na escuta, e que permite ler a situação concreta do matrimônio à luz da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja", frisou o Papa.

Sentença, fruto de um discernimento atento.
O Pontífice disse ainda que "o êxito deste caminho é a sentença, fruto de um discernimento atento que conduz a uma palavra crível sobre a experiência pessoal, iluminando os percursos que podem ser abertos a partir dali. A sentença deve ser compreensível às pessoas envolvidas: só assim se tornará um momento de especial relevância no seu caminho humano e cristão".

O Papa concluiu, encorajando os membros do Colégio dos Prelados Auditores do Tribunal da Rota Romana "a continuarem com fidelidade e diligência seu ministério eclesial a serviço da justiça, inseparável da verdade. Um trabalho que mostre o rosto misericordioso da Igreja: um rosto materno que se inclina sobre cada fiel para ajudá-lo a fazer a verdade sobre si mesmo, levantando-o das derrotas e das fadigas, convidando-o a viver plenamente a beleza do Evangelho".
(Vatican News - 27 de jan de 2022)

PAPA FRANCISCO: QUE ESSA CRUELDADE INDESCRITÍVEL NÃO SEJA ESQUECIDA.

No final da Audiência Geral desta Quarta-feira, o Papa recordou o Dia Internacional da Memória. Fez um apelo às família e educadores: "Promover nas novas gerações a consciência do horro desta página escura da história".
"Essa crueldade indescritível não deve mais se repetir."

Francisco pontua bem as sílabas como se quisesse marcar na mente e no coração, das novas gerações, em que os males do racismo e do antissemitismo retornam novamente, a dor para todas as vítimas do Holocausto.

No final da Audiência Geral desta quarta-feira (26/01), o Papa Francisco recordou o Dia Internacional da Memória, celebrado na quinta-feira, 27 de janeiro, no 76º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, símbolo da Shoah que destruiu a vida de milhões de pessoas e famílias.

"É necessário lembra o extermínio de milhões de judeus e pessoas de diferentes nacionalidades e religiões. Essa crueldade indescritível não deve mais se repetir."

O Papa dirigiu-se a todos, em particular "aos educadores e famílias, para que promovam nas novas gerações a consciência do horror desta página escura da história". Uma advertência a manter viva a atenção para esse fato horrível também no futuro, para que não seja ofuscado quando as últimas testemunhas não mais existirem. "Que esta crueldade nunca seja esquecida", disse o Pontífice, "para se possa construir um futuro em que a dignidade humana nunca mais seja pisoteada".

O apelo tornou-se um abraço no final da audiência, quando o Papa, sentado numa cadeira ao pé da escadaria da Sala Paulo VI, cumprimentou Lídia Maksymowicz, polonesa de origem bielorrussa, que foi para Auschwitz - Campo de concentração de Birkenau aos 3 anos com sua mãe, perdida e depois encontrada na idade adulta na Rússia. O encontro entre o Papa e Lídia, testemunha ainda viva das atrocidades dos campos de concentração e das experiências do doutor Josef Mengele, é o segundo encontro. Em 26 de maio de 2021, no final de uma Audiência Geral no pátio de São Dâmaso, Lídia saudou Francisco que se abaixou para beijar o número tatuado em seu braço, após 77 anos, do horror vivido: "70072". "O beijo do Santo Padre me fortaleceu e me reconciliou com o mundo", disse Maksymowicz numa entrevista ao Vatican News logo após a audiência. Nesta quarta-feira, Francisco acariciou a tatuagem no braço de Lídia, que levou alguns presentes ao pontífice, dentre os quais o livro sobre a sua vida "A menina que não sabia odiar", recentemente impresso por Solferino, e uma fotografia impressa em tela de um encontro com João Paulo II, a quem a sobrevivente disse ser muito devota.

Também no ano passado, recordando no Angelus “esta terrível tragédia”, o Papa disse: “A indiferença não é admissível e a memória é um dever”. Francisco convidou os fiéis a rezar, “dizendo cada um em seu coração: nunca mais”.

Aquele “nunca mais” que, embora silenciado em favor de um silêncio mais eloquente do que cada frase ou discurso, transpareceu dos gestos feitos pelo Papa em sua peregrinação de dor ao abismo de Auschwitz-Birkenau, durante a viagem de 2016 à Polônia. Entre orações diante do muro das execuções ou na cela onde São Maximiliano Kolbe passou os últimos momentos de sua vida, entre abraços com os sobreviventes e caminhada com a cabeça baixa entre os memoriais de mármore, nenhuma palavra saiu da boca de Francisco. Apenas uma oração estava na alma do Papa, a mesma que ele deixou escrita em espanhol no Livro de Honra do campo de extermínio:

"Senhor, tem piedade do seu povo. Senhor, perdão por tanta crueldade.

SANTO DO DIA

 SANTA ÂNGELA MÉRICI
Protetora dos doentes; das pessoas com deficiência males do corpo e da perda dos pais.

ÂNGELA MÉRICI nasceu em Desenzano del Garda, norte da Itália, em 1470. Foi no período da Reforma da Igreja, no combate à doutrina luterana, e do Renascimento. Seus pais eram camponeses e muito religiosos. Desde pequena ela demonstrava inclinação à vida religiosa, dando preferência a leituras sobre a vida dos santos...

Conheça a história completa. Clique no nome.

LITURGIA DO DIA

QUINTA-FERIA 27 DE JANEIRO
3ª Semana do Tempo Comum  Ano "C"
Cor Litúrgica: VERDE

Santo do Dia

Primeira Leitura: 2Samuel 7,18-19.24-29
18Então o rei Davi entrou e ficou diante de Iahwen, e disse: "Quem sou eu, Senhor Iahwen, e qual é a minha casa para que me trouxesses até aqui? 19Mas isso é ainda pouco aos teus olhos, Senhor Iahwen, e estendas as tuas promessas também à casa do teu servo para um futuro distante. Esse é o destino do homem, Senhor Iahwen. 24Estabeleceste o teu povo Israel para que ele seja sempre o teu povo, e tu, Iahwen, tu te tornaste o seu Deus. 25Agora, Iahwen Deus, guarda para sempre a promessa que fizeste a teu servo e à sua casa e faze como disseste. 26O teu nome será exaltado para sempre, e dirão: Iahwen dos Exércitos é Deus sobre Israel. A casa do teu servo Davi de Israel, que fizeste esta revelação  ao teu servo Davi subsistirá na tua presença. 27Porque foste tu, Iahwen dos Exércitos, Deus de Israel, que fizeste esta revelação ao teu servo: 'Eu te edificarei uma casa.' Então o teu servo ter a coragem de ter dirigir esta oração. 28Sim, Senhor Iahwen, és tu que és Deus, as tuas palavras são verdade e tu fizeste esta maravilhosa promessa ao teu servo. 29Consente, pois, em abençoar a casa do teu servo, para que ela permaneça sempre na tua presença, porque és tu, Senhor Iahwen, que tens falado, e é pela tua bênção que a casa do teu servo será abençoada para sempre."

SALMO 131
O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi
- Recordai-vos, ó Senhor, do rei Davi e de quando vos foi ele dedicado; do juramento que ao Senhor havia feito e de seu voto ao Poderoso de Jacó:

- "Não entrarei na minha tenda, minha casa, nem subirei à minha cama em que repouso, não deixarei adormecerem os meus olhos, nem cochilarem em descanso minhas pálpebra, até que eu ache um lugar para o Senhor, uma casa para o Forte de Jacó!"

- O Senhor fez a Davi um juramento, uma promessa que jamais renegará: "Um herdeiro que é fruto do teu ventre colocarei sobre o trono em teu lugar!

- Se teus filhos conservarem minha Aliança e os preceitos que lhes dei a conhecer, os filhos dele igualmente hão de sentar-se eternamente sobre o trono que de dei!"

- Pois o Senhor quis para si Jerusalém e a desejou para que ele fosse sua morada: "Eis o lugar do meu repouso para sempre, eu fico aqui: este é o lugar que preferi!"

EVANGELHO
Marcos 4,21-25

21
E dizia-lhes: "Quem traz uma lâmpada para colocá-la debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Ao invés, não a traz para colocá-la debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Ao invés, não a traz para colocá-la no candelabro? 22Pois nada há de oculto que não venha a ser manifesto, e nada em segredo que não venha a luz do dia. 23Se alguém tem ouvido para ouvir, ouça!" 24E dizia-lhes: "Cuidado com o que ouvis! Com a medida com que medis será medido para vós, e vos será acrescentado ainda mais. 25Pois ao que tem será dado, e ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado". 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

O PAPA FRANCISCO PEDE PARA QUE OS PAIS NÃO SE ESPANTEM DIANTE DOS PROBLEMAS DOS FILHOS.

Na Audiência Geral desta quarta-feira, Francisco convidou aos pais, diante dos problemas dos filhos, a pensarem no Senhor, a pensarem como José resolveu os problemas e a pedirem a José que os ajude. "Nunca condenar um filho", acrescentou o Papa.
"São José, homem que sonha" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (26/1), realizada na Sala Paulo VI.

O Papa explicou que "na Bíblia, como nas culturas dos povos antigos, os sonhos eram considerados um meio pelo qual Deus se revelava. O sonho simboliza a vida espiritual de cada um de nós, aquele espaço interior, que cada um é chamado a cultivar e a proteger, onde Deus se manifesta e muitas vezes nos fala".

Segundo o Papa, "devemos dizer que dentro de cada um de nós não existe apenas a voz de Deus: existem muitas outras vozes. Por exemplo, as vozes de nossos medos, experiências passadas, das esperanças; e há também a voz do maligno que quer nos enganar e confundir. Portanto, é importante ser capaz de reconhecer a voz de Deus no meio de outras vozes. José demonstra que sabe cultivar o silêncio necessário e tomar as decisões justas diante da Palavra que o Senhor lhe dirige interiormente".

A oração faz nascer em nós a intuição do caminho de saída.
Para entender como nos colocar diante da revelação de Deus, o Papa retornou quatro sonhos relatados na Evangelho que têm José como protagonista.

No primeiro sonho, o anjo ajuda José a resolver o drama que o aflige ao saber da gravidez de Maria, quando o anjo lhe apareceu em sonho e lhe disse para não ter medo de receber Maria como esposa. A resposta de José foi imediata, pois quando acordou fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado.

Muitas vezes a vida nos coloca diante de situações que não entendemos e parecem sem solução. Rezar, nesses momentos, significa deixar que o Senhor nos mostre a coisa certa a ser feita.  De fato, muitas vezes é a oração que faz nascer em nós a intuição do caminho de saída. Como resolver aquela situação. Queridos irmãos e irmãs, o Senhor nunca permite um problema sem nos dar também a ajuda necessária para enfrentá-lo. Ele não nos joga ali no forno sozinhos. Não nos joga no meio dos animais ferozes. Não. O Senhor quando nos faz ver um problema ou revela um problema, nos dá sempre sua ajuda, sua presença para sair, para resolvê-lo.

A coragem de José para enfrentar as dificuldades.
O segundo sonho revelador de José ocorre quando a vida do menino Jesus está em perigo. Ele pegou o menino Jesus e sua mãe e fugiram para o Egito e ficaram lá até a morte de Herodes.

Na vida fazemos experiências de perigos que ameaçam nossa existência ou a de quem amamos. Nessas situações, rezar significa escutar a voz que pode fazer nascer em nós a coragem de José para enfrentar as dificuldades sem sucumbir.

O medo também precisa da nossa oração.
No Egito, José espera de Deus o sinal para poder voltar para casa. Este é o conteúdo do terceiro sonho. O anjo lhe revela que aqueles que queriam matar o menino morreram e ordena a José de partir com Maria e Jesus e retornar à sua pátria. Mas na viagem de volta, "quando soube que Arquelau reinava na Judéia, como sucessor de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá". Depois de receber aviso em sonho, José partiu para aa região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Esta é a quarta revelação.

O medo também faz parte da vida e ele também precisa da nossa oração. Deus não nos promete que não teremos mais medo, mas que, com sua ajuda, o medo não será o critério de nossas decisões. José experimenta o medo, mas Deus também o guia através do medo. O poder da oração ilumina as situações sombrias.

Os pais diante dos problemas dos filhos.
A seguir o Papa recordou "as muitas pessoas que são esmagadas pelo peso da vida e não conseguem mais esperar e nem rezar. Que São José as ajude a abrir-se ao diálogo como Deus, para reencontrar luz, força e paz".

Francisco recordou também "os pais diante dos problemas dos filhos. Filhos doentes, com doenças permanentes. Quanta dor ali! Pais que veem orientações sexuais diferentes nos filhos, como lidar com isso e acompanhar os filhos e não se esconder no comportamento de condenação. Pais que veem os filhos morrerem por causa de uma doença, e o mais triste, vemos todos os dias nos jornais, os jovens que fazem travessuras e morrem em acidentes de carro. Pais que veem os filhos não prosseguirem na escola, muitos problemas dos pais. Pensemos em como ajudá-los. A esses pais eu digo que não se espantem. Há muita dor, muita, mas pensem no Senhor, pensem em como José resolveu os problemas e peçam a José que os ajude. Nunca condenar um filho".

O Papa recordou as mães que visitam os filhos nas prisões. Uma mãe diante de um filho que errou e está preso, mas não o deixa sozinho, dá a cara e o acompanha. Esta coragem de pai e mãe que acompanham o filho sempre.

A oração não é um gesto abstrato ou intimista
O Papa concluiu, dizendo que "a oração nunca é um gesto abstrato ou intimista, como querem fazer estes movimentos espiritualistas mais gnósticos do que cristãos, não é isso. A oração está sempre indissoluvelmente ligada à caridade. Somente quando unimos o amor à oração, amor pelo filho e pelo próximo, conseguimos compreender as mensagens do Senhor. José rezava, trabalhava e amava, e por isso sempre recebeu o necessário para enfrentar as provações da vida. Confiemo-nos a ele e à sua intercessão".

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

LITURGIA DO DIA

TERÇA-FEIRA 25 DE JANEIRO
2ª Semana do Tempo Comum - Ano "C"
Cor Litúrgica: BRANCA

Santo do dia
CONVERSÃO DE SÃO PAULO

Primeira Leitura: Atos 22,3-16
3"Eu sou judeu. Nasci em Tarso, da Calícia, mas criei-me nesta cidade, educado aos pés de Gamaliel na observância exata da Lei de nossos pais, cheio de zelo por Deus, como vós todos no dia de hoje. 4Persegui de morte este Caminho, prendendo e lançando à prisão homens e mulheres, 5como o podem testemunhar o sumo sacerdote e todos os anciãos. Deles cheguei a receber cartas de recomendação para os irmãos em Damasco e para lá me dirigi, a fim de trazer algemados apra Jerusalém os que lá estivessem, para serem aqui punidos. 6Ora, aconteceu que, estando eu a caminho e aproximando-me de Damasco, de repente, por volta do meio-dia, uma grande luz vinda do céu brilhou ao redor de mim. 7Caí ao chão e ouvi uma voz que me dizia: 'Saulo, Saulo, porque me persegues?' 8Respondi: 'Quem és, Senhor?' Ele me disse: 'Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu estás perseguindo'. 9Os que estavam comigo viram a luz, mas não escutaram a voz de quem falava comigo. 10Eu prossegui: 'Que farei, Senhor?' E o Senhor me disse: 'Levanta-te e entra em Damasco: lá te dirão tudo o que te é ordenado fazer'. 11Como eu não enxergasse mais por causa do fulgor daquela luz, cheguei a Damasco levado pela mão dos que estavam comigo. 12Certo Ananias, homem piedoso segundo a Lei, de quem davam bom testemunho todos os judeus da cidade, 13veio ter comigo. De pé, diante de mim, disse-me: 'Saulo, meu irmão, recobra a vista'. E eu, na mesma hora, pude vê-lo. 14Ele disse então: 'O Deus de nossos pais te predestinou para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires a voz saída de sua boca. 15Pois tu hás de ser sua testemunha, diante de todos os homens, do que viste e ouviste. 16E agora, que estás esperando? Recebe o batismo e lava-te dos teus pecados, invocando o seu nome!'. 

SALMO 116
Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
- Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festeja-o!
- Pois comprovado é o seu amor para conosco, para sempre ele é fiel.

EVANGELHO
Marcos 16,15-18

O Senhor esteja convosco
- Ele está no meio de nós
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos
- Glória a voz Senhor

15E disse-lhes: "Ide por todo o mundo, proclamais o Evangelho a toda criatura. 16Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado. 17Estes são os sinais que acompanharão aos que tiveram crido: em meu nome expulsarão demônios, falarão em novas línguas, 18pegarão em serpentes, e se beberem algum veneno mortífero, nada sofrerão; imporão as mãos sobre os enfermos, e estes ficarão curados". 

sábado, 22 de janeiro de 2022

"UMA FÉ QUE NÃO NOS PÕE EM CRISE É UMA FÉ EM CRISE", DISSE O PAPA FRANCISCO

Dignidade, discernimento e fé foram as três palavras refletidas durante o discurso do Papa Francisco aos participantes da Assembleia Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé.

Na manhã desta sexta-feira (21/1) o Papa Francisco recebeu os participantes da Assembleia Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé. O Papa iniciou seu discurso comunicando que iria partilhar com os presentes algumas reflexões, agrupando-as em torno de três palavras: dignidade, discernimento e fé.

DIGNIDADE: Ao refletir sobre a palavra dignidade o Papa recordou que em nossa época, “marcada por tantas tensões sociais, políticas e até mesmo relacionadas à saúde, há uma tentação crescente de considerar o outro como um estranho ou um inimigo, negando-lhe a verdadeira dignidade”. Advertindo que “especialmente neste momento, somos chamados a lembrar, ‘em todas as ocasiões oportunas e inoportunas’ e seguindo fielmente um ensinamento da Igreja de dois mil anos, que a dignidade de todo ser humano tem um caráter intrínseco e é válida desde o momento da concepção até a morte natural”. 

"A afirmação da dignidade é o pré-requisito inalienável para a proteção de uma existência pessoal e social, e também a condição necessária para que a fraternidade e a amizade social sejam realizadas entre todos os povos da Terra". 

“A Igreja – continuou o Pontífice - desde o início de sua missão sempre proclamou e promoveu o valor intangível da dignidade humana. O homem é de fato a obra-prima da criação: é querido e amado por Deus como parceiro em seus planos eternos, e por sua salvação Jesus deu sua vida ao ponto de morrer na cruz por cada homem, por cada um de nós".

DISCERNIMENTO: Ao falar sobre o discernimento o Papa refletiu três aspectos, o primeiro referia-se sobre "a maior necessidade de espiritualidade em nossos tempos que, porém, nem sempre encontra seu ponto de referência no Evangelho. Assim, não é raro lidar com supostos fenômenos sobrenaturais, para os quais o povo de Deus deve receber indicações confiáveis e sólidas", aconselhou Francisco. O segundo aspecto do discernimento “encontra uma aplicação necessária na luta contra abusos de todo tipo".

"A Igreja com a ajuda de Deus, leva adiante com determinação seu compromisso de fazer justiça às vítimas de abusos por parte de seus membros, aplicando com especial cuidado e rigor a legislação canônica prevista". 

Recordando também que recentemente atualizou as “Normas sobre crimes reservados à Congregação para a Doutrina da Fé", com o desejo de tornar a ação judicial mais incisiva. "Isto por si só não pode ser suficiente para conter o fenômeno, mas é um passo necessário para restabelecer a justiça, reparar o escândalo e emendar o réu”.

E o terceiro aspecto do discernimento referia-se “a dissolução do vínculo matrimonial in favorem fidei”. “Quando – explicou Francisco - em virtude do poder petrino, a Igreja concede a dissolução de um vínculo matrimonial não-sacramental, não se trata apenas de pôr um fim canônico a um casamento, que já falhou de fato, mas, na realidade, através deste ato eminentemente pastoral, pretendo sempre favorecer a fé católica - in favorem fidei! - na nova união e na família, da qual este novo casamento será o núcleo”.

Francisco destaca ainda um outro importante aspecto: "E aqui também gostaria de focalizar a necessidade de discernimento no caminho sinodal.

Este discernimento é o que fará do Sínodo um verdadeiro Sínodo, no qual - digamos - o personagem mais importante é o Espírito Santo, e não um parlamento ou uma pesquisa de opiniões que a mídia possa realizar. É por isso que ressalto: o discernimento é importante no caminho sinodal".

"Um caminho sinodal sem discernimento não é um caminho sinodal. É necessário discernir continuamente opiniões, pontos de vista e reflexões. Não se pode percorrer o caminhos sinodal sem discernir". 

A FÉ: Por fim o Papa refletiu sobre a palavra . Iniciou recordando o fundamento da Congregação que é o de “não apenas para defender, mas também para promover a fé. Sem fé, a presença de crentes no mundo seria reduzida à de uma agência humanitária”. “Nunca devemos esquecer - afirmou - que uma fé que não nos põe em crise é uma fé em crise; uma fé que não nos faz crescer é uma fé que deve crescer; uma fé que não nos questiona é uma fé sobre a qual nos devemos questionar; uma fé que não nos anima é uma fé que deve ser animada; uma fé que não nos sacode é uma fé que deve ser sacudida".

Concluindo disse aos presentes:
"Não nos contentamos com uma fé morna e habitual. Colaboremos com o Espírito Santo e uns aos outros para que o fogo que Jesus trouxe ao mundo possa continuar aceso e incendiar o coração de todos".
(Vaticano News)

SÃO VICENTE DE SARAGOÇA

SÃO VICENTE era arquidiácono na igreja de Saragoça. Valeriano, o bispo local, tinha dificuldade na fala; por isso, Vicente pregava em seu lugar, e respondeu em seu nome quando ambos foram levados à presença de Daciano, o presidente (governador da Espanha), durante a perseguição de Diocleciano.

Ao ser banido o bispo, Vicente permaneceu, para sofre e encontrar a morte. Em primeiro lugar, foi esticado na cavalete; e, quando estava quase sendo resgado em pedaços, Daciano, o presidente, pertuntou-lhe com deboche como se se sentia. Vicente, com alegria estampada no rosto, respondeu que sempre rezara para um dia estivesse assim. Em vão Daciano bateu nos verdugos e os espichou, incitando-os a seu ofício selvagem. Rasgaram a carne do mártir com ganchos; prenderam-no a uma cadeira de ferro incandescente; óleo e sal foram esfregados em suas feridas; e em meio a tudo isso, ele matinha os olhos erguidos para os céus sempre imóvel.

Foi enfim jogado em uma masmorra solitária com os pés presos a um tronco, mas o anhos de Cristo iluminaram a escuridão e deram a Vicente a garantia de que ele estava próximo de seu triunfo. Suas feridas, então, foram tratadas e preparadas para receber novos tormentos, e os fiéis tiveram a chance de encarar seu corpo mutilado. Eles vinham em multidões, beijavam as chagas abertas, e levavam consigo pedaços de tecido banhado naquele sangue. Antes que recomeçassem as torturas, a hora do mártir enfim chegou, e ele expirou a alma em paz.

Mesmo os cadáveres dos santos são preciosos aos olhos do Senhor, e a mão da iniquidade não pode tocá-los. Um coro guardou o corpo de Vicente no local em que fora despejado sobre a terra. Quando afundou no mar, as ondas o levaram de volta à praia, e suas relíquias estão preservadas até hoje no mosteiro agostiniano de Lisboa, para consolo da Igreja de Cristo. 
                                                                            (Livro Vida dos Santos, Alban Butler/Biblioteca Católica. p. 33-34).

LITURGIA DO DIA

SÁBADO 22 DE JANEIRO

2° Semana do Tempo Comum - ano "C"
Cor Litúrgica: VERDE

Santo do dia

1ª Leitura: 2Samuel 1,1-4.11-12.19.23-27
1Depois da morte de Saul, Davi, ao voltar da vitória sobre os amalecitas, ficou dois dias em Siceleg. 2Ao terceiro dia, chegou um homem que vinha do acampamento, de junto de Saul. Tinhas as vestes rasgadas e a cabeça coberta de pó. Ao chegar perto de Davi, atirou-se por terra e se prostrou. 3Disse-lhe Davi: "Donde vens?" Ele respondeu: "Escapei com vida do acampamento de Israel." 4Davi perguntou: "Que aconteceu? Dize logo!" O homem disse: "As tropas fugiram do campo de batalha, e muitos caíram e estão mortos. O próprio Saul e seu filho Jônatas pereceram!" 11Então Davi apanhou suas vestes e as rasgou, e todos os homens que o acompanhavam fizeram o mesmo. 12Lamentaram-se, choraram e jejuaram  até à tarde por Saul e por Jônatas, seu filho, e por causa do povo de Iahwen e da casa de Israel, porque havia caído pela espada. 19"Pereceu o esplendor de Israel nas tuas alturas? Como caíram os heróis? 23Saul e Jônatas, amados e encantadores, na vida e na morte não se separaram. Mais do que as águas eram velozes, mais do que os leões era fortes. 24Filhas de Israel, chorais sobre Saul, que vos vestiu de escarlate e de linho fino, que adornou com ouro os vossos vestidos. 25Como caíram os heróis no meio do combate? Jônatas, a tua morte dilacerou-me o coração, 26tenho o coração apertado por tua causa, meu irmão Jônatas. Tu me eras imensamente querido, a tua amizade me era mais cara do que o amor das mulheres. 27Como caíram os heróis e pereceram as armas de guerra?" 

SALMO 79
Resplandecei a vossa face, e nós seremos salvos!
- Pastor de Israel, prestai ouvidos, Vós que a José apascentais qual um rebanho! Vós, que sobre os querubins vos assentais, aparecei cheio de glória e esplendor ante Efraim e Benjamim e Manassés! Despertai vosso poder, ó nosso Deus, e vinde logo nos trazer a salvação!
- Até quando, ó Senhor, vos irritais, apesar da oração do vosso povo? Vós nos destes a come o pão das lágrimas, e a beber destes um pranto copioso. Para os vizinhos somos causa de contenda, de zombaria para os nossos inimigos.

EVANGELHO
Marcos 3,20-21
O Senhor esteja convosco
- Ele está no meio de nós
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
- Glória a voz Senhor

21E voltou para casa. E de novo a multidão se apinhou, de tal modo que ele não podia se alimentar. 21E quando os seus tomaram conhecimento disso, saíram para detê-lo, porque diziam: Enlouqueceu!"

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