TRADUTOR

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

SANTOS MARTIRES

SANTO ESTÊVÃO

Que Santo Estêvão foi judeu não é objeto de disputa, pois ele mesmo confessa o parentesco em sua apologia ao povo. Porém, se foi hebreu de estirpe, e descendente de Abraão, ou de avós estrangeiros incorporados e criados naquela nação, havendo entrado nela como prosélitos, não é coisa averiguada. O nome de Estêvão, que significa "coroa", é indubitavelmente grego; porém, o presbítero Luciano, na história do descobrimento de suas relíquias, e Basílio de Selêucia, informam-nos que na sua tumba em Cafragama se encontra gravado o nome Cheliel, que significa também "coroa" em hebraico. Concede-se geralmente que foi um dos 72 discípulos de Jesus Cristo, porque, imediatamente depois da vinda do Espírito Santo, encontramo-lo perfeitamente instruído na lei evangélica, dotado de dons extraordinários, tanto interiores como exteriores, com aquele espírito divino que se havia difundido havia pouco na Igreja, e admiravelmente favorecido pelo poder de fazer milagres. A igreja de Cristo Aumentava então visivelmente, e era ilustre pelo espírito e pela prática de todas as virtudes, especialmente da caridade. Os fiéis viviam e se amavam uns aos outros como irmãos. Os fiéis viviam e se amavam uns aos outros como irmãos, e só tinham uma alma e um só coração. O amor e a caridade eram a alma comum que animava os corpos de todos os crentes.

O rico vendia suas posses para socorrer as necessitado, e depositava o dinheiro num tesouro comum, cujo cuidado estava confiado aos Apóstolos, para que se fizesse a distribuição adequada às urgências de cada um. Só o Céu está livre de toda ocasião de ofensa, e sendo o número de gregos convertidos muito grande (isto é, cristão de países estrangeiros que nasciam ou se criavam onde se falava principalmente o grego, ou que ao menos eram gentios de nascimento, embora prosélitos da religião judaica antes de abraçar a fé de Cristo), murmuravam contra os hebreus, queixando-se de que suas viúvas ficavam abandonadas com aquela administração estranha dos bens. Os apóstolos, para colocar nisso pronto remédio, reuniram os fiéis e lhes disseram que não podiam abandonar a obrigação de pregar e as demais funções espirituais para atender a suas mesas. Recomendaram então que se elegessem sete homens de caráter justo e irrepreensível, cheios de sabedoria e do Espírito Santo, que entendessem daquele manejo, para ficarem eles livres das distrações e embaraços dos negócios terrenos e poderem com mais liberdade, dedicar-se sem interrupção à oração e pregação do Evangelho. Essa proposição foi sumamente agradável a toda assembleia, que imediatamente nomeou Santo Estêvão, "homem cheio de fé e do Espírito Santo", Felipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Todos esses nomes são gregos, pelo que creram alguns que a eleição foi feira por gregos, com o pensamento de apaziguar os rumores que seus compatriotas haviam levantado. Porém, era muito frequente nos hebreus mudar seus nomes para uma pronúncia grega que tivesse o mesmo significado, quando conversavam com gregos e romanos, aos quais parecia difícil a pronúncia de alguns nomes orientais.

Estêvão é chamado o primeiro entre os diáconos, como Pedro é o primeiro entre os Apóstolos, diz Santo Agostinho. Por isso, Luciano do chama arcediago. Esses sete foram apresentados aos Apóstolos, os quais com uma oração impuseram suas mãos sobre eles, por cuja cerimônia receberam o Espírito Santo, para qualificá-los de ministros nos santos mistérios do Senhor. Sua ordenação foi feita em virtude da missão, geral ou particular, dada por Cristo a seus Apóstolos para o estabelecimento de ministros subalternos, ou levitas, designados ao serviço do alta. Santo Inácio de Antioquia, discípulo dos Apóstolos, manda os fiéis reverenciarem os diáconos, como preceito de Deus. E os chama "ministros dos mistérios de Jesus Cristo". E, em outra parte, "ministros não da comida e da bebida, mas servos da Igreja de Deus".

Santo Estêvão teve a primazia e a precedência dos novos diáconos eleitos pelos Apóstolos, como nota São João Crisóstomo, e cheio do Espírito Santo pregava e defendia a causado cristianismo com intrépido fervor, confirmando Sua doutrina com muitos milagres públicos e inquestionáveis. Multiplicavam-se em Jerusalém os crentes, e obedecia à fé um número grande ainda de sacerdotes. O distinguido zelo e sucesso de nosso santo diácono incitou a malícia e a inveja dos inimigos do Evangelho, que empregaram todas suas forças e astúcias contra ele. A conspiração se formou pelos libertinos (ou aqueles que haviam sido levados cativos a Roma por Pompeu e obtiveram depois sua liberdade), e os de Cirene, Livia e Alexandria, Cilícia e Ásia Menor, que tinham distintas sinagogas em Jerusalém. No começo, quiseram disputar com Santo Estêvão, porém, vendo-se incapazes de vencer por suas poucas forças e não podendo resistir ao espírito e à sabedoria com que ele falava, subornaram falsos testemunhos, para que o acusassem de blasfemo contra Moisés e contra Deus.

Publicou-se o decreto no Sinédrio contra ele e conduziram-no àquele tribunal. Depois de lida a falta, Caifás, o sumo sacerdote, ordenou que de defendesse. A principal acusação que se produzira contra ele era ter afirmado que o templo seria destruído, que os sacrifícios mosaicos já não passavam de símbolos e que já não eram aceitáveis a Deus, por ter-lhes posto fim Jesus Cristo, ou Jesus de Nazaré. Deus dignou-se difundir em seu rosto uma beleza radiante e um admirável resplendor enquanto esteve no Grande Conselho, e assim os que estavam presentes acreditavam ter à sua frente um anjo. Conforme à licença que o Sinédrio lhe dera para falar em sua defesa, proferiu uma apologia, porém, de tal modo que veio a pregar animadamente a Cristo no próprio Sinédrio. Fez ver que Abraão, pai e fundador da nação deles, fora justificado e recebera grandes favores de Deus fora do templo, que Moisés recebera ordens para erigir um tabernáculo, porém anunciando uma nova Lei e um Messias; que, embora Salomão tivesse erguido o templo, isso não obrigava a imaginar que Deus estivesse circunscrito ou reduzido a coisas feitas por nossas mãos, e que o templo e a Lei mosaica era coisas temporárias, e haviam de deixar seu lugar às instruções mais excelentes introduzidas pelo Deus Filho Encarnado. O mártir acrescentou que tudo isso se cumprira com o Pai Eterno enviando o Messias; porém, que eles eram, como seus antepassados, uma nação dura e tenaz, circuncisa no corpo, mas não no coração, e que resistia sempre ao Espírito Santo, e que, assim como seus antepassados haviam tirado a vida de muitos profetas os quais anunciaram o Cristo, assim eles o mataram e ofenderam em sua própria pessoa; e, por último, que, embora houvessem recebido a lei por ministérios dos anjos, não haviam lhe obedecido.

Essa animosa censura os feriu até o íntimo do coração, e os incitou a tão desmedido furor que rangiam os dentes em direção ao santo mártir, com todos os sintomas de um surto furioso. O santo, muito pouco atento ao que abaixo sucedia, tinha seu coração e seus olhos erguidos a objetos mais altos, e cheio do Espírito Santo, olhando constantemente o Céu, viu-o aberto, e contemplou o Divino Salvador sentado à direita do Pai, disposto a proteger, receber e coroar o Seu servo. Com essa visão, Estêvão ficou arrebatado de êxtase, sua alma sentiu uma renovada coragem e um desejo impaciente de chegar àquelas delícias que se lhe haviam manifestado em vislumbre. Seu coração repousava de alegria, e no meio de seu gozo, não podendo conte a língua para manifestar tamanho júbilo, mesmo em meio ao ataque de seus inimigos, disse: "Olhai, vejo os céus abertos, e o Filho do Homem à direita de Deus". Quando mais distante está o auxílio humano, mais próximas estão as consolações do Céu; é nestas ocasiões que devemos permanecer fixos em Deus, em uma constante confiança e um desprendimento perfeito das coisas terrenas. Enquanto conservamos delas alguma inclinação, não teremos tocado a perfeição dos santos.

Os judeus se manifestavam de modo cada vez mais duro e obstinado, irados ao máximo por ouvir falar daquele modo o santo, e chamando-o blasfemo, resolveram tratar de tirar-lhe a vida, sem mais processos ou formalidades judiciais. Com o furor de seu zelo indiscreto e cego, não esperaram qualquer sentença e decreto do imperador romano, sem o qual nenhum deles poderia ser condenado à morte legalmente. Porém fechando os ouvidos a toda desculpa sobre as supostas blasfêmias, lançaram-no tumultuosamente para fora da cidade, e com uma chuva de pedras começaram a saciar sua ira. As testemunhas, que segundo a lei levítica deveriam principiar a execução nos casos capitais, deixaram suas vestes aos pés de Saulo, que por esse moto teve alguma parte no crime dos outros (cf. At 22,20; 7,58). Entretanto, o santos mártir orava dizendo: "Senhor Jesus, recebeu meu espírito", E, colocando-se de joelhos, exclamou em voz alta e com grande fervor: "Senhor, não lhes pedis conta deste pecado". E, ao dizer isto, "dormiu no Senhor" - expressão utilizada elegantemente pelo Espírito Santo para manifestar a doçura da morte do justo, que vem a ser como um descanso depois das fadigas da vida, um porto seguro após os riscos da tormenta do mundo, e uma porta para a vida eterna.

Santo Agostinho e outros Santos, Padres não duvidam que a eminente conversão de São Paulo foi fruto das orações do protomártir em seus últimos suspiros, e veio a ser prova do muito que pode aquele santo nos céus. A edificação e as vantagens que a Igreja recebeu com o martírio desse santo mártir compensaram o padecimento de perdê-lo. Certos devotos obtiveram ordem para enterrá-los de um modo decente e derramaram sobre ele abundante pranto, embora sua morte tivesse sido seu maior triunfo, e seu prêmio incomparável. O presbítero Luciano, que conta o modo milagroso do descobrimento de suas relíquias no século V, nos diz que estavam depositados a cerca de trinta quilômetros de Jerusalém. Santo Estêvão parece ter padecido quase aos fins do mesmo ano em que Cristo foi crucificado. 

Em toda vida de nosso Divino Redentor, temos o modelo mais perfeito de mansidão. Durante seu ministério, sofreu pacientemente as fraquezas, ignorâncias e preocupações de alguns; a perversidade, a inveja e a malícia de outros; a ingratidão de seus amigos; a soberba a insolência de seus inimigos. Qual admirável foi sempre o paciente silêncio que teve em todos os tribunais de justiça no decurso de toda Sua Paixão! Quanto não o confirmou o exemplo que nos deu, lançando seu último alento na cruz com uma oração fervorosa pelos mesmos que a crucificavam? Quantas vezes, e com que ardor, nos encarregou da prática dessa virtude da mansidão, expressando sua indispensável obrigação e seus inexprimíveis benefícios! Santo Estêvão herdou com a maior perfeição esse espírito à medida que se viu mais ou menos favorecimento da plenitude do Espírito Santo. Ninguém que é apaixonado, que não perdoa, que é vingativo, pode ser discípulo de Cristo. Em vão se jactam do nome de cristãos. Na caridade, na mansidão e na humildade consiste o espírito do cristianismo; e pouca coisa pode haver que desonre tanto a religião quanto o espírito contrário naqueles que fazem profissão da piedade. 
  

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO

"Ele pregava forte, dizia coisas desagradáveis aos fariseus, aos doutores da lei, aos sacerdotes, não lhes dizia: Queridos, comportai-vos bem. Não! Só lhes dizia: "Raça de serpentes". Não usava matizes... Assim arriscava sua vida, sim, mas era fiel. Agiu do mesmo modo com Herodes, a quem disse na cara: 'Adúltero, não te é licito viver assim, adúltero! Na cara! Certamente, se um pároco hoje na homilia dominical dissesse: 'Entre vós alguns são uma raça de serpentes e há muitos adúlteros. o bispo receberia cartas de protesto: 'Mandai embora este pároco que nos insulta. E João insultava. Por que? Porque era fiel à sua vocação e à verdade". 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO

Todos nós temos ouvidos, mas muitas vezes não conseguimos ouvir. Porque? Irmãos e irmãs, existe de fato uma surdes interior, e hoje podemos pedir a Jesus para lhe tocar e curar. E essa surdez interior é pior do que a física, pois é a surdez do coração. Na nossa pressa, com mil coisas para dizer e fazer, não encontramos tempo para parar e ouvir aqueles que falam conosco. Corremos o risco de nos tornarmos impermeáveis a tudo e a não dar lugar àqueles que precisam de ser ouvidos: Perguntemo-nos: como via a minha escuta? 

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